quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A semente do velho Benedito

      A bondade e a cordialidade de Benedito, fez com que visse a necessidade de ensinar que ao menino Vicente que com suas limitações apanhava de um garoto maior, que era justa, e com essas palavras; “Vem cá, meu filho Você não pode com ele, sabe, porque ele é maior e tem mais idade. O tempo que você perde empinando raia vem aqui no meu cazuá que vou lhe ensinar coisa de muita valia’’. Foi assim com o africano Benedito fez entrar a capoeira na vida do ícone da capoeira angola Mestre Pastinha.


       Em cinco de abril de 1889 nasce Vicente Joaquim Ferreira Pastinha na Rua do Tijolo em Salvador, Bahia, filho do espanhol José Señor Pastinha e da baiana, Eugênia Maria de Carvalho.
      Após o sutil convite, o menino passou a frequentar a casa de Benedito todos os dias, treinado e aprendendo a mandinga dos escravos, até que um dia encontrou seu rival e dessa vez foi diferente, ele “pois” o menino no chão, alguns relatos dizem que acabaram se tornando amigos. No mesmo período o menino Pastinha frequentou o Liceu de Artes e Ofício, onde teve conhecimento de arte e pintura. 
      No ano de1902 entrou para marinha lá serviu por oito anos, nesse período ensinou a arte da capoeira a seus colegas, e com eles aprendeu a arte da esgrima e tocar violão.  Em 1910 com 21 anos deixa a marinha, decidido a dedicar-se a pintura e a prática da capoeira (escondido, pois ainda era proibida a prática por lei), e surge seu primeiro aluno “Raimundo Aberrê”, que segundo Pastinha frequentava suas aulas diariamente. Devido à ilegalidade da prática e da forte repressão da época, de 1913 a 1934 Mestre Pastinha se afasta da capoeira, e mesmo com desejo de viver as sua arte, trabalhou como, pintor, pedreiro, entregador de jornais e até tomou conta de casa de jogos. Este último relatado por ele próprio: “Passei a tomar conta de casa de jogo. Para manter a ordem. Mas mesmo sendo capoeirista eu não descuidava de um facãozinho de doze polegadas e de dois cortes que trazia comigo. Jogador profissional daquele tempo andava sempre armado. Assim quem estava sem arma nenhuma no meio deles bancava o besta. Vi muita arruaça, algum sangue, mas não gosto de contar causos de briga minha.”

Primeiros frutos
      Em 1941, seu antigo aluno Aberrê convida para assisti-lo numa roda no bairro da Gengibirra, onde segundo Pastinha era ponto de encontro dos maiores mestres da Bahia, perguntaram a Aberrê quem teria sido seu mestre e ele disse Pastinha e lhe pediram para chama-lo. Pastinha foi apresentado para um mestre conhecido como “Amorzinho”, um guarda civil que tomava conta da roda e imediatamente entregou o berimbau e a responsabilidade para o mestre. Assim foi o inicio do que seria a primeira escola de Capoeira Angola.  Foi fundado então o CECA (Centro Esportivo de Capoeira Angola), nome dado pelo próprio mestre, localizado no Largo do Cruzeiro de São Francisco.  Após a morte de Amorzinho, em 1943, o centro foi abandonado por todos os mestres, mas mesmo assim Pastinha continuou.


          Fevereiro de 1944 houve uma reorganização e em 23 de março do mesmo ano vão para o Centro Operário da Bahia. Em 1949, num domingo Pastinha foi convidado por dois camaradas para ver um terreno na fábrica de sabonetes Sicool no Bigode, onde recebeu o apoio e auxilio dos moradores. O centro ali se instalou e foram feitas as primeiras camisas em preto e amarelo, cores inspiradas no Clube Atlético Ypiranga, clube muito querido pelo mestre e pelas classes sociais mais populares de Salvador.  Uma das curiosidades dessa época é que Mestre Pastinha, avaliando cada um dos seus alunos, fazia um desenho na camisa, conforme os seus movimentos mais característicos.

Reconhecimento
1° de outubro de 1952 o CECA foi oficializado. Veja o artigo  original abaixo:

      “O Centro Esportivo de Capoeira Angola, fundado a 1° de Outubro de 1952, com sede na cidade de Salvador, Estado da Bahia, é constituído de número limitado de sócios, tem a finalidade de ensinar, difundir e desenvolver teórica e praticamente a capoeira de estilo genuinamente “Angola”, que nos foi legada pelos primitivos africanos aportados aqui na Bahia de Todos os Santos”.
O CECA muda de endereço em maio de 1955, para o Largo do Pelourinho n° 19, por 16 anos. Mestre Pastinha ganhou reconhecimento, foi entrevistado por jornais, revista importantes da época. Sua academia recebia visitas ilustres como, Jorge Amado, o ilustrador Carybé, o filósofo Jean Paulo Sartre, o ator Jean Paul Belmondo, e visitantes de todo Brasil.

      Mestre Pastinha e seus alunos vão ao festival de Bahiarte em 05 de julho de 1957, na Lagoa do Abaeté, para apresentar a capoeira angola, e foi nessa ocasião que ele teve e seu primeiro contato com Mestre Bimba, onde deram exemplo de respeito e passividade um pelo outro, mostrando que a rivalidade entre regional e angola era criada por alunos e não pelos mestres.
Ele apresentou o CECA em vários estados, tais como, Pernambuco, Minas-Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.
   
      Um livro de Pastinha foi escrito por Jorge Amado com o titulo “Capoeira Angola”, palavras do escrito pro Mestre “... mestre da Capoeira de Angola e da cordialidade baiana, ser de alta civilização, homem do povo com toda a sua picardia, é um dos seus ilustres, um dos seus abas, de seus chefes. É o primeiro em sua arte. Senhor da agilidade e da coragem, da lealdade e da convivência fraternal. Em sua escola no pelourinho, Mestre Pastinha constrói cultura brasileira, da mais real e da melhor...”.



      O mestre e Jorge Amado


O livro não foi à única expressão artística do Mestre, ele gravou um disco com cinco faixas com o titulo Pastinha Eternamente“, nele contem depoimentos na voz do próprio mestre e músicas de capoeira, cantadas por Mestre Traíra. É uma raridade, está disponível na internet.

O Golpe
Era 1971, Pastinha aos oitenta e dois anos de idade encontra-se praticamente cego por consequência de uma catarata esta praticamente cego, a prefeitura alega que o casarão onde ele mora precisa de reformas, ele muda-se com a promessa que voltaria com o termino (O que não ocorreu). Com esse fato Mestre Pastinha mudou-se para Rua Alfredo Brito n° 14 no pelourinho, em um quarto escuro úmido e sem janelas. Nessa mudança, foram perdidos móveis, fotografias, quadros que ele pintava, objetos inestimáveis que poderia fazer parte de um acervo para nossa artística e histórica brasileira. Posteriormente o prédio foi doado Patrimônio Histórico da Fundação do Pelourinho, que em seguida vendeu para o SENAC que acabou transformando o prédio em um restaurante, um “golpe cultural”.
Fonte: Google

Tristeza

Usado, enganado e abandonado, Pastinha entra em profunda depressão, já não tem a mesma força e mandiga para joga contra o destino, e em 1979 com 90 anos foi vítima de um derrame cerebral o que rendeu um ano de internação em um hospital público, e em seguida foi enviado para o abrigo para idosos Dom Pedro II. Em 13 de novembro de 1981, aos 92 anos, cego, quase paralítico e abandonado, morre Mestre Pastinha e assim foi o lamentável fim da semente do velho Benedito.

     Fonte: http://velhosmestres.com/br/pastinha-1981

As sementes do Mestre Pastinha

Mestre Pastinha semeou varias e boas sementes, assim como resultado hoje é um símbolo de extrema importância para capoeira de um modo geral, um ícone cultural brasileiro. Dedicou a vida para arte e cultura e a disseminação dela pelo Brasil e pelo mundo, mostrando a todos que ela pode ser levada de uma forma mais simples e mais nobre.
Hoje a memoria do menino franzino, que se tornou pintor, sábio da filosofia popular e o maior símbolo da capoeira angola, o saudoso Mestre Pastinha, está vivo em rodas de capoeira pelo mundo inteiro.


      Fonte: Google


Fonte de pesquisa: Mestrando Muleky, Google.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

As Origens

A Associação de Capoeira Gunga é Meu, criada em 01 de Agosto de 2016, na cidade de Caririaçu, com a gestão do Mestrando Muleky (André Dias Barbosa) que conta com o apoio dos seus professores e instrutores nas batalhas diárias. Já com 29 anos de trabalho, o atual presidente do grupo, Mestrando Muleky, segue a sua carreira a todo vapor, sendo considerado por todos os lugares que se faz presente.













No ano de 2017 o grupo ganhou o título de utilidade publica, abrindo as portas para novos espaços favorecendo o reconhecimento e a valorização do grupo.







Com perseverança e amor, os integrantes do grupo seguem firmes e fortes, sempre na ativa pra conseguir mais espaços e fazer o grupo crescer mais e mais. 





As Origens

A Associação de Capoeira Gunga é Meu , criada em 01 de Agosto de 2016, na cidade de Caririaçu, com a gestão do Mestrando Muleky (André Dias ...