quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

As Chamadas de Angola na Capoeira

As chamadas de Angola ou paradas de Angola são um dos elementos mais simbólicos e fundamentais da Capoeira Angola. Mais do que movimentos coreografados, elas representam diálogo, malícia, respeito e tradição, sendo um verdadeiro teste de consciência corporal e entendimento do jogo.


O Que São as Chamadas de Angola?
As chamadas são momentos em que um dos jogadores interrompe o fluxo normal do jogo e convida o outro a se aproximar, geralmente de forma lenta, controlada e ritualizada. Esse convite não é verbal, mas corporal, feito por meio de gestos específicos.

Ao aceitar a chamada, o outro jogador demonstra confiança, atenção e leitura de jogo. No entanto, essa confiança nunca é ingênua: a chamada carrega sempre a possibilidade de surpresa.


Qual a Função das Chamadas?
As chamadas cumprem várias funções dentro da roda de Angola:

•Quebrar o ritmo do jogo, trazendo pausa e reflexão
•Testar a malícia e a atenção do parceiro
•Reforçar o diálogo corporal, essencial na capoeira
Demonstrar respeito à hierarquia e à tradição
Criar tensão e controle emocional

Na Capoeira Angola, o jogo não é apenas físico — é estratégico, simbólico e psicológico.


Principais Tipos de Chamadas de Angola
Embora existam variações entre grupos e mestres, algumas chamadas são amplamente reconhecidas:

1. Crucifixo de Frente
O jogador se posiciona de frente para o parceiro, com postura aberta e braços relaxados ou levemente estendidos. É uma das chamadas mais tradicionais e exige extrema atenção de quem se aproxima.

2. Crucifixo de Costas
O jogador vira parcialmente ou totalmente de costas, convidando o outro a se aproximar por trás. Representa alto nível de confiança e malícia, pois qualquer descuido pode resultar em um contra-ataque.

3. Chamada Baixa
Realizada próxima ao chão, com o corpo agachado ou em posição baixa. Exige controle corporal e leitura fina do jogo, sendo comum em jogos mais cadenciados.

4. Chamada com Volta ao Mundo
Após a aproximação, os jogadores caminham juntos em círculo, geralmente antes de retomar o jogo. Esse momento reforça o aspecto ritual e simbólico da Angola.


Como Responder a uma Chamada Corretamente?
Responder a uma chamada não é apenas “ir até o outro”. Envolve:

•Manter o olhar atento
•Controlar a distância
•Estar pronto para reagir a qualquer movimento
•Demonstrar respeito, sem perder a malícia

Aceitar uma chamada sem consciência pode significar perder o jogo — ou aprender uma lição.


As Chamadas e a Filosofia da Capoeira Angola
As chamadas refletem a própria filosofia da Capoeira Angola:

Nem tudo é ataque, nem tudo é defesa. Às vezes, é espera.

Elas ensinam paciência, leitura do outro, autocontrole e estratégia — valores que ultrapassam a roda e se estendem para a vida.

Conclusão
As chamadas de Angola são um dos pilares da tradição capoeirista. Compreendê-las é essencial para quem deseja jogar Angola com fundamento, respeito e consciência histórica. Mais do que movimentos, elas são conversas silenciosas, onde cada gesto tem intenção e cada pausa tem significado.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

O Berimbau: História, estrutura e importância na capoeira

O berimbau é mais do que um instrumento musical: ele é o coração da capoeira. É através dele que a roda ganha forma, ritmo, intensidade e significado. Sem o berimbau, a capoeira perde sua organização, sua linguagem e grande parte de sua identidade cultural.


Origem do Berimbau
O berimbau tem origem africana, mais especificamente em instrumentos de arco musical trazidos por povos africanos escravizados ao Brasil. Ao longo do tempo, esse instrumento foi ressignificado no contexto brasileiro e passou a ser associado diretamente à capoeira, tornando-se um de seus principais símbolos.

No Brasil, o berimbau ganhou características próprias e passou a cumprir uma função única: comandar o jogo, definindo o ritmo, o estilo e o comportamento dos jogadores dentro da roda.

Estrutura do Berimbau
O berimbau é composto por elementos simples, mas cada um tem uma função essencial:
Verga: haste de madeira flexível, geralmente feita de biriba, responsável pela estrutura do instrumento.
Arame: fio de aço preso às extremidades da verga, que produz o som quando percutido.
Cabaça: fruto seco que funciona como caixa de ressonância, amplificando o som.
Baqueta: pequena vareta de madeira usada para bater no arame.
Dobrão ou pedra: utilizado para pressionar o arame e alterar a altura do som.
Caxixi: pequeno chocalho que complementa o ritmo.


A combinação desses elementos permite ao tocador produzir sons graves, médios e agudos, criando variações rítmicas ricas e expressivas.

Os Três Tipos de Berimbau na Roda
Na capoeira, é comum o uso de três berimbaus, cada um com uma função específica:
Gunga ou Berra Boi: possui som mais grave e é o responsável por comandar a roda. Ele define o ritmo e a intensidade do jogo.
Médio: faz a ligação entre o gunga e a viola, sustentando o toque.
Viola: produz sons mais agudos e é responsável pelas variações, improvisos e floreios.

Essa formação cria um diálogo musical que orienta tanto os jogadores quanto os demais instrumentos da bateria.


O Papel do Berimbau no Jogo de Capoeira
O berimbau não serve apenas para marcar o ritmo; ele determina o tipo de jogo. Cada toque possui um significado específico. Por exemplo:
Toques mais lentos pedem um jogo mais baixo e cadenciado.
Toques acelerados exigem mais agilidade, atenção e energia.
Certos toques indicam o início, a troca ou o fim do jogo.
Assim, o capoeirista precisa aprender não apenas a jogar, mas também a ouvir e respeitar o berimbau, pois é ele quem conduz a roda.

O Berimbau como Símbolo Cultural
Além de sua função musical, o berimbau representa resistência, ancestralidade e identidade. Durante períodos de repressão à capoeira, ele foi um instrumento de comunicação e organização entre capoeiristas.

Hoje, o berimbau é reconhecido mundialmente como símbolo da cultura afro-brasileira e da capoeira, sendo tocado e estudado em diversos países.

Conclusão
O berimbau é a voz que guia a capoeira. Conhecer sua história, sua estrutura e sua função é essencial para qualquer praticante ou admirador dessa arte. Mais do que aprender a tocar, compreender o berimbau é entender a alma da roda e respeitar os fundamentos que mantêm a capoeira viva.



Fontes Utilizadas:
REGO, Waldeloir. Capoeira Angola: Ensaio Sócio-Etnográfico.
ASSUNÇÃO, Matthias Röhrig. Capoeira: The History of an Afro-Brazilian Martial Art.
ABIB, Pedro Rodolpho Jungers. Capoeira Angola: Cultura Popular e o Jogo dos Saberes.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Mestre Muleky

 No silêncio quente do sertão cearense, entre o som do berimbau e o eco dos passos marcados no chão batido, nasceu uma história que o tempo não apagará. Seu nome é Muleky.


Filho da arte, forjado no ritmo da capoeira, Muleky cresceu entre rodas, toques e risos. Desde cedo, trazia no olhar o brilho de quem via na ginga não apenas um movimento, mas uma forma de existir.



Em agosto, o destino escreveu uma linha de ouro em sua trajetória: Muleky recebeu o título de Mestre de Capoeira, coroando 29 anos de dedicação, suor e respeito à tradição. A data não poderia ser mais simbólica, coincidiu com o aniversário de 10 anos da Associação Gunga É Meu, uma instituição que, como ele, nasceu do amor pela capoeira e pelo legado cultural que ela carrega.



A cerimônia que consagrou o novo mestre aconteceu no dia 11 de outubro, no Horto, em Juazeiro do Norte, durante o evento do grupo Gunga Médio Viola, sob a organização do respeitado Mestre Borracha, um dos primeiros a acreditar no talento de Muleky e a moldar sua caminhada.


O chão do Horto se encheu de energia. O som do atabaque pulsava como um coração coletivo. Entre aplausos e cantos, mestres de toda a região, como Mestre Caboré, Mestre Carlinho, Mestre Parabrisa e tantos outros, testemunharam aquele momento histórico.


E assim, diante de todos, Muleky se tornou o primeiro Mestre de Capoeira natural de Caririaçu, uma conquista que ecoa como um canto de vitória, mas também como um chamado à continuidade.



Porque, para Muleky, ser mestre não é o fim da jornada, é o início de uma nova roda.


Uma roda onde tradição e futuro se encontram, e onde cada ginga conta uma história… a história de quem nunca deixou de acreditar na força da capoeira.


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Muleky, A Chave.


            Andre Dias Barbosa, nascido em 28 de julho de 1990, filho de Maria Cicera Damasceno e Luiz Barbosa Bandeira, deu inicio a sua jornada com 6 anos de idade em Caririaçu, ele treinava no quintal da sua residência, junto com os integrantes da Associação Palmares de Capoeira.

        
   No ano de 2000, ele começou a fazer parte de um projeto na fundação Zuli Morais e permaneceu até o final de 2004, participou do grupo resistência negra, ONG Raízes da Capoeira, Raiz dos Palmares, Academia de Capoeira Mistério (BA) e é o atual presidente da Associação de Capoeira Gunga é Meu.




          No ano de 2008, foi morar em Alagoas, e logo após, mudou-se para a Bahia, voltando para o Ceará no ano de 2011, e com a sua volta já Formado, ele trouxe a capoeira para a cidade, permaneceu na ativa até ser convidado para o grupo Raiz dos Palmares, foi um dos fundadores da Associação de Capoeira Gunga é Meu em 2016, com cede nacional em Caririaçu/CE, e extensões na cidade de  Juazeiro do norte/CE.









     A capoeira no passado era marginalizada, onde os integrantes dos grupos existentes na época invadiam festas e faziam baderna chegando até a acabar com a festa apenas por diversão, hoje em dia, graças ao trabalho e dedicação do Muleky, o nome da capoeira foi limpo e em 2011, ele conseguiu mostrar que a capoeira vale a pena, ganhando confiança, sendo admirado pela população, e fazendo com que a capoeira tenha seu devido reconhecimento nas redondezas.
Na cidade, a arte marcial antes rejeitada, recebe total apoio tanto pela gestão politica, quanto pela população.
    Repassa todo o seu conhecimento para os seus alunos, e trabalha com competência e dedicação para que todos, assim como ele, sejam merecedores de  levar consigo uma graduação.
Atualmente é Mestrando e continua o seu trabalho árduo todos os dias da semana, frequentemente treinando e batalhando pela evolução.
    
      A família cresce a cada dia, resultado dessa correria diária, o mundo está sempre de portas abertas para nós, e Muleky soube enxergá-las e aproveitar ao maximo para mostrar o dom de ser capoeira, ser a inspiração dos seus seguidores que estão em constante multiplicação, e evoluir junto com eles.



segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Capoeira em Caririaçu

    
      No ano de 1996, na Rua Genario Borges, foi introduzida a capoeira pela primeira vez na cidade de Caririaçu, na casa do André Dias Barbosa, (atualmente o nosso Mestrando Muleky). Na época os integrantes desta união eram, Prof° Borracha, Instrutor Moreno, Formado Caboré e Graduado Voador, traziam o nome da Associação Palmares de Capoeira pertencente ao Mestre João Baiano, que depois montou a primeira academia no município,  próximo à antiga Delegacia da cidade, também deu aulas nos espaços Tabajara, Colégio São Pedro e Parque Recreio Paraiso, permanecendo até o final do ano de 2003.





Foi montado um projeto, na Associação Zuli Moraes, sendo representado pelo Mestre Naldo, da ONG Raiz da Capoeira, tendo o seu fim em 2004.



O grupo de capoeira Resistência Negra, também teve sua passagem pela cidade de Caririaçu, onde o André Dias (Mestrando Muleky) foi um dos pioneiros, junto com outros integrantes do atual grupo Gunga é Meu. A capoeira em Caririaçu teve um período de recesso, pois o (Mestrando Muleky) no ano de 2008, foi morar em Alagoas, e logo após, mudou-se para a Bahia, voltando para o Ceará no ano de 2011, e com a sua volta já Formado, ele trouxe a capoeira de volta para a cidade, permaneceu na ativa até ser convidado pelo ilustre Mestre Caboré para o grupo Raiz dos Palmares, com supervisão do Mestre Moreno, que permaneceu na cidade até o ano de 2016.


Em 2016, houve a junção de forças, de trabalho, vontade de dar os seus próprios passos, do Mestre Caboré, e Mestrando Muleky ( na época professor), Professor Arys, e os seguidores dos mesmos, e no dia 1 de Agosto de 2016 foi Fundada a Associação de capoeira Gunga é Meu, a primeira academia de capoeira registrada em cartório do município, que está hoje a todo vapor, com cede nacional em Caririaçu/CE, e extensão na cidade de  Juazeiro do norte/CE.






































A capoeira no passado era marginalizada, onde os integrantes dos grupos existentes na época invadiam festas e faziam baderna chegando até a acabar com a festa apenas por diversão, até a polícia perseguia os capoeiristas, que fugiam pela mata, por caminhos desconhecidos, para não deixar rastros, nas rádios ficava estampada a noticia, “Mais uma vez, gangue de capoeira acaba mais uma festa”. Hoje em dia, graças ao trabalho e dedicação do Mestrando Muleky, o nome da capoeira foi limpo em 2011, ele conseguiu mostrar que a capoeira vale a pena, ganhando confiança, sendo admirado pela população, e fazendo com que a capoeira tenha seu devido reconhecimento nas redondezas.
Na cidade, a arte marcial antes rejeitada, recebe total apoio tanto pela gestão politica, quanto pela população. 



Apoio da Prefeitura de Caririaçu com Fardamentos para os sócios.



A Associação de Capoeira Gunga é Meu tem seu espaço de ensino da arte da capoeira no CRAS, dando a oportunidade a crianças, jovens e idosos, o Mestrando Muleky como facilitador, repassa seus conhecimentos para todos os interessados, sempre com participação nas datas importantes do município.


Desfile 7 de Setembro de 2017


Consciência Negra em Caririaçu

A associação de capoeira Gunga é Meu, no dia 07/06/2017, recebeu o titulo de Utilidade Publica, um grande passo da capoeira na cidade, e desde então é visível o crescimento da arte marcial na localidade.





      O grupo também conta com os amigos da capoeira, que são 

integrantes da associação que contribuem com o grupo, devido

não termos fins lucrativos.



























A capoeira é isso, é união, perseverança, garra, amor no que faz.



As Origens

A Associação de Capoeira Gunga é Meu , criada em 01 de Agosto de 2016, na cidade de Caririaçu, com a gestão do Mestrando Muleky (André Dias ...